O Programa de Pós-Graduação em História - Mestrado Acadêmico da UESC tem sua Área de Concentração em "História do Atlântico e da Diáspora Africana", tal delimitação traz consigo alguns significados e conceitos que remetem a uma amplitude temática, geográfica e cronológica. Esses significados e conceitos têm um impacto direto sobre a perspectiva pela qual se analisam os fenômenos e processos sociais, sejam eles em suas dimensões sincrônicas ou diacrônicas. Assim sendo, é necessário contextualizar em que âmbito teórico e metodológico se inscreve a proposta do Programa de Pós-Graduação em História: Atlântico e Diáspora Africana.
A Área de Concentração está situada a partir da "abertura do Mundo Atlântico", as pesquisas acolhidas pelo Programa devem situar seus objetos a partir do século XVI. Trata-se, portanto, de Área de Concentração interessado nos movimentos históricos locais, regionais e globais situados nos marcos cronológicos das chamadas História Moderna e Contemporânea. O Programa acolhe, também, propostas que dialoguem com a Educação, Sociologia, Política, Antropologia, sob a perspectiva da História do Tempo Presente, de modo que o tratamento metodológico garanta que o resultado da pesquisa - a dissertação - seja condizente com o que se entende como um trabalho do campo da História.
O Atlântico, além de sua conotação geográfica mais imediata – o oceano que conecta a Europa e a África das Américas – tem sido pensado e proposto, a partir de diversos referenciais metodológicos e historiográficos, como um espaço de contato e circulação de pessoas procedentes dessas porções de terra e, com elas, suas ideias, memórias, valores, tradições, línguas, literaturas, políticas, economias, enfim, tudo que o ser humano carrega e que lhe confere a característica de um ente que produz cultura. Considera-se, portanto, o Atlântico como uma comunidade, marcada por contradições e assimetrias, composta pelas sociedades litorâneas da Europa, África, Caribe e Américas, cujos processos históricos se influenciaram e interpenetraram desde o século XVI até os dias atuais. É nesse sentido que o termo “Atlântico” é empregado no âmbito da Linha de pesquisa Experiências Atlânticas: Economia, Política e Sociedade, e agrega pesquisadores interessados em analisar a circularidade de pessoas, ideias, projetos econômicos, políticos, culturais e educacionais; a articulação e reorganização dos espaços sociais e urbanos entre si e com o mundo atlântico.
O destaque dado à Diáspora Africana justifica-se por questões políticas, demográficas e econômicas que impuseram aos africanos uma ativa participação na construção do novo mundo atlântico. Os africanos escravizados e seus descendentes com sua relevante contribuição econômica e cultural foram fundamentais na formação do mundo atlântico. O Brasil concentra a maior população negra fora do continente africano, desse modo, para se compreender corretamente a História do Brasil, é imprescindível analisá-las levando em consideração o as ações desse contingente populacional, na agência em prol de seus projetos, ideias, ativismos, produção de artefatos políticos e culturais.
Estudar qualquer aspecto da Diáspora Africana é tratar de uma experiência atlântica. Com isso, não se quer circunscrever a ideia de diáspora no Atlântico apenas ao movimento de pessoas e ideias direta ou indiretamente vinculadas ao tráfico de escravos. O tráfico legal de escravos para as Américas - iniciado no século XVI - encerrou-se. Porém, o movimento de pessoas e circularidade de ideais, projetos políticos, geopolíticos, econômicos, culturais, estéticos, religiosos e educacionais, entre o Continente Africanos e a Europa, o Caribe e as Américas, parece mais intenso atualmente.
É desse ponto de vista que se emprega a expressão “Diáspora Africana” no âmbito da Linhas de Pesquisa Experiência da Diáspora Africana: Identidade, Cultura e Sociedade, que agrega pesquisadores interessados em analisar as relações da África com o Atlântico, e, mais especificamente o Brasil, tendo por perspectiva a diáspora africana; a presença dos africanos e seus descendentes nas sociedades do Novo Mundo; suas ações políticas, econômicas, culturais, educacionais e religiosas